Rotundas sob investigação

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Entre o para-arranca, as filas, as buzinadelas e os segundos em que dá para apreciar a condutora do lado, são muitas as coisas que se passam numa rotunda – tantas e tão sérias, que a Universidade de Aveiro (UA) tem na estrada o primeiro estudo realizado em Portugal que pretende interligar comportamentos de condutores, consumos de combustível e emissões de poluentes do tráfego automóvel nas rotundas.

O projeto do Departamento de Engenharia Mecânica da UA tem por objetivo encontrar modelos para rotundas onde o consumo e a poluição sejam mínimos. E para ajudar à missão, a UA tem a circular nas principais rotundas da cidade de Aveiro um carro teste equipado com medidores experimentais para registar as múltiplas dinâmicas dos veículos automóveis em andamento.

O automóvel da UA está equipado com câmaras de filmar e com um GPS que, ligado a um armazenador de dados, grava segundo a segundo velocidades, acelerações, desacelerações, posições do veículo e inclinações do terreno. Finalmente, o veículo circula com um “car-chip” acoplado à ficha OBD (“On-board Diagnosis”), o qual permite monitorizar todo o historial do desempenho do veículo (incluindo o consumo de combustível segundo a segundo). Ao mesmo tempo, nas rotundas analisadas fazem-se filmagens do tráfego e utiliza-se um radar de velocidades para registar as velocidades a que se deslocam os veículos. Conduzido por uma investigadora, o laboratório ambulante vai circular ao longo de vários períodos do dia para registar diferentes características de tráfego e vai efetuar vários tipos de condução.

“Queremos perceber, nesta primeira fase do estudo, e com a ajuda do nosso carro-teste, de que forma os veículos se comportam nas rotundas, quer em termos de tráfego, quer em termos de consumo e de emissão de poluentes para a atmosfera”, diz a investigadora Margarida Coelho. Posteriormente, e após a análise dos dados, explica a responsável, “serão construídos modelos de rotundas que melhor convêm para melhorar a fluidez do tráfego, poupar combustível e diminuir a poluição”.

As estradas que servem de ligação às rotundas e as respetivas passagens para peões também não vão fugir ao olho clínico do grupo “Transportation Technology” do Centro de Tecnologia Mecânica da UA, coordenado por esta docente no Departamento de Engenharia Mecânica. Pretende-se, nomeadamente, perceber como os condutores reagem ao atravessamento de peões nas rotundas, incluindo peões invisuais.

Nesta parceria, para além do Departamento de Engenharia Mecânica da UA, participa o Institute for Transportation Research and Education da North Carolina State University. A campanha de medições experimentais conta, ainda, com o apoio da Toyota Caetano Portugal. Posteriormente, alguns dos dados recolhidos serão utilizados num projeto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), em que a UA participa em parceria com o Departamento de Engenharia Civil da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

[Fonte e Foto: Universidade de Aveiro]

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