Mete aí no inventário

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Que livros de Ciência havia nas Bibliotecas medievais? Que segredos escondiam os inventários dos médicos cristãos-novos martirizados nos autos de fé? Saber mais sobre o papel que a Ciência teve, ao longo dos tempos, na vida quotidiana das pessoas, e também sobre o estudo e transmissão desse saber, é precisamente o grande objetivo do Colóquio “Inventários, Livros e Ciência”, que decorre em Aveiro a 15 e 16 de março.

O Colóquio terá lugar no Arquivo Distrital de Aveiro, no primeiro dia, e no Museu de Aveiro, no segundo dia, e é promovido pelo Centro de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro em conjunto com estas duas instituições.

A iniciativa pretende proporcionar uma reflexão alargada sobre o tema Inventários, Livros e Ciência, em que se entrecruzam saberes, objetos e espaços diversos, e também evidenciar as relações que se estabelecem entre estas vários elementos. O encontro reúne estudiosos de várias áreas – historiadores, filólogos, bibliotecários, investigadores das ciências puras ou aplicadas – que estudam documentos escritos e objetos, de várias épocas, com destaque para instrumentos científicos, hoje associados às áreas de farmácia e medicina.

O ponto de partida para a iniciativa foram os inventários dos médicos cristãos- novos Amato Lusitano e Francisco Barbosa, que viram os seus bens arrolados pelos comissários pontifícios em Ancona, em 1555, na sequência dos quais foram martirizados cerca de três dezenas de judeus portugueses em vários autos de fé. Uma das intervenções no Colóquio aborda precisamente este tema. O Colóquio «Inventários, Livros e Ciência» surge no âmbito do projeto «Dioscórides e o Humanismo Português: os Comentários de Amato Lusitano», do Centro de Línguas e Culturas, coordenado por António Andrade, Professor de Departamento de Línguas e Culturas da Universidade de Aveiro.

Do programa constam ainda as intervenções de Silvestre Lacerda, diretor-geral dos Arquivos, intitulada “Contributo para o conhecimento da literatura de caráter científico na coleção Manuscritos da Livraria na Torre do Tombo” – a abrir o primeiro dia de Colóquio – e ainda de Saul António Gomes, investigador do Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra, sobre «Livros de ciência em bibliotecas medievais portuguesas». Maria da Graça Pericão, da Biblioteca da Universidade de Coimbra, falará sobre “A Biblioteca da botica do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra” e Paula Basso e João Neto, subdiretora e diretor do Museu da Farmácia, respetivamente, abordarão o tema “A importância dos inventários na caracterização da profissão farmacêutica e do espaço da botica: o auto de avaliação da Botica do Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa”.

A entrada no Colóquio “Inventários, Livros e Ciência” é gratuita.

[Foto e fonte: Universidade de Aveiro]

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