Padres em vias de extinção?

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Paulo Reis Mourão

As taxas de desemprego sobem em flecha, mas os jovens não parecem muito interessados em seguir uma vida religiosa com boas perspetivas profissionais… Sobretudo os que não têm irmãos. O professor Paulo Reis Mourão, da Universidade do Minho (UMinho), acredita até que a pressão sobre os filhos únicos para que formem família é um dos fatores para que haja cada vez menos padres.

Esta é a conclusão de um estudo pioneiro da Universidade do Minho, publicado na “Review of Religious Research”.

A investigação de Paulo Reis Mourão, professor do Departamento de Economia da UMinho, avaliou a evolução das vocações religiosas nos países da Europa, desde 1960 até à atualidade. Concluiu-se que, a par do crescimento económico sentido na maioria dos países, houve uma quebra no rácio de sacerdotes por população católica. Nos países mais católicos (Portugal, Itália, Espanha, Irlanda) confirmou-se que as oscilações se deveram a mudanças na estrutura familiar, nas ondas migratórias e no crescimento da urbanização.

Paulo Reis Mourão define os três principais fatores para a redução e, depois, para a estabilização do número de padres. Primeiro: a descida da taxa de fertilidade, já que com apenas um ou dois filhos “diminui a liberdade de escolha para a vocação religiosa”. Segundo: a redução dos compromissos, pois há cada vez menos casamentos ou relações longas e mais divórcios. Terceiro: o chamado “arrefecimento do fervor religioso”, embora desde 1990 o número de vocações tenha estabilizado (ainda que abaixo dos valores de 1960/70), mas com vocações “mais conscientes”.

“O facto mais importante é as famílias com menos filhos, que são cada vez mais, tenderem a pressioná-los para optarem por uma carreira laica, de forma a manterem a continuidade da família, ou seja, netos, bisnetos…”, nota o docente. Paulo Reis Mourão admite que este estudo pode contribuir para uma reflexão interna do Vaticano: “É preciso um papel mais ativo e uma maior consciencialização e dinâmica paroquial para se inverter esta tendência. A questão das vocações é essencial na Igreja Católica e o seu desenvolvimento é influenciado pelas dimensões socioeconómicas”.

O investigador acrescenta que as vocações religiosas no longo prazo devem-se mais à estrutura de normas e valores sociais do que a ciclos de curto prazo do desenvolvimento económico. “Nem sempre o crescimento económico gera efeitos de substituição que podem diminuir a atratividade de certas vocações, como alguma literatura anglo-saxónica advoga”, remata.

[Fonte e Foto: UMinho]

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