O barbudo que não é ‘chato’

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Podíamos estar a falar do Pai Natal, mas não – até porque se trata de Economia e a frase é do antigo Ministro das Finanças Jorge Braga de Macedo, que assim descreveu hoje o Prémio Nobel da Economia 2008 Paul Krugman, como sendo “barbudo mas não ‘barbant'”, palavra que significa ‘chato’ em francês.

Entre docentes, filas inteiras de alunos com livros de Krugman religiosamente segurados debaixo do braço e uma imprensa muito atenta ao discurso do laureado sobre Economia em tempos de crise, o mais curioso é que Braga de Macedo tinha razão, pois foi com muita atenção que Paul Krugman se fez ouvir na Aula Magna, por altura da cerimónia de entrega do Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de LisboaUniversidade Nova de Lisboa e Universidade Técnica de Lisboa.

Houve até direito a uma sessão de perguntas e respostas, como se de uma verdadeira aula se tratasse.  O mais caricato é que, na altura do debate, no meio de um auditório cheio de gente, a pergunta mais difícil foi feita…. Pela mesmíssima esposa de Paul Krugman, a também economista Robin Wells. O tema que deixou Krugman quase de boca aberta versava sobre a influência duradoura da filosofia alemã sobre as políticas europeias, após uma eventual saída da crise. Krugman respondeu, lembrando que as políticas de austeridade podem funcionar “da mesma maneira que a restauração parcial do padrão-ouro nos anos 1920 funcionou”, isto é: uma vez resolvida a crise, resta ainda um problema estrutural por resolver.

Krugman, Portugal loves you!

Bom… Ninguém disse isto ipsis verbis, mas andou-se lá perto. Quase no final da palestra, Paul Krugman admitiu que um dia, talvez se chegue à conclusão de que “o Euro foi um erro”, a propósito da falta de integração orçamental que existe na Zona Euro.  “Espero que não, mas se acontecer, espero já estar reformado e que esse debate fique para outros”, disse sorrindo o Nobel da Economia, seguido por Jorge Braga de Macedo, que logo respondeu: “E terá certamente uma casa cá em Portugal!”, o que demonstra que nem a crise económica pode matar o coração mole que carateriza os portugueses (quase só faltou acrescentar a parte do “pão e vinho sobre a mesa”, a propósito da “casa portuguesa”, como cantava a Amália…).

Krugman Imprensa
Krugman calcula que há 75% de probabilidades de Portugal se manter no Euro.

Portugal está mal… Mas não tanto como a Grécia

Pouco antes do início da cerimónia de entrega do Doutoramento Honoris Causa, Paul Krugman acedeu a uma conferência de imprensa, onde respondeu às perguntas dos vários jornalistas presentes. A maioria das questões incidiu sobre a situação de crise que assola a Europa, nomedamente países como Irlanda, Espanha, Portugal e Grécia – ao que Krugman não hesitou responder que Portugal, embora se encontre numa situação complicada, consegue estar “muito melhor do que a Grécia”, país que tem uma grande probabilidade de abandonar a meda única. No que toca a estatísticas aplicadas a Portugal, o Nobel disse que vamos ter de esperar para ver o que acontece nos próximos 2/3 anos. No entanto, e falando em probabilidades, que não são certezas, sublinhou, Krugman apontou 75% de probabilidades de Portugal continuar a fazer parte da Zona Euro.

Mesmo sendo um aluno aplicado no que ao cumprimento das medidas de austeridades pedidas, Portugal devia “baixar os salários em relação à Alemanha”, “mas não tanto como os da China”, sublinhou o laureado norte-americano, explicando que só assim o nosso país poderia ganhar alguma competitividade.

[Foto: Bruna Pereira]

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